Apesar dos alegados oitenta e tantos por cento de popularidade …
Apesar do apoio escancarado e maciço do Presidente e de toda a máquina de governo à candidatura Dilma…
Apesar dos milhões de votos cativos, votos de gratidão, dos beneficiários do Bolsa Família …
Apesar dos reais e dólares, em envelopes e cuecas, que por certo continuaram a fluir para a campanha…
Apesar da absoluta falta de carisma de José Serra …
Apesar do Chico Buarque de Holanda …
44% dos brasileiros votaram diretamente contra o governo, disseram um firme não ao petismo e ao Presidente Lula.
É uma percentagem que manda um recado claro. É como se mais de 40 milhões de cidadãos, em coro, proclamassem: Lula você não é a opinião pública, não é a unanimidade, não é um ungido do Senhor, não é o salvador da pátria, não é o pai do povo.
A não vitória no primeiro turno e as percentagens finais, colocaram as coisas nos seus lugares: Lula é um político carismático, bastante popular, certamente bem sucedido, um autêntico líder. Mas em quem uma parte substancial de seus concidadãos não confia e gostaria de ver aposentado e distante.
O esquema de poder instalado em torno do líder, que tinha a certeza da vitória no primeiro turno, se reagrupou rapidamente e, por maioria bem menor que esperava venceu no segundo turno.
Amanhã começa a luta entre as diversas correntes, tão diferentes uma da outra, que se uniram para eleger Dilma.
Hoje foi Dilma contra Serra. Amanhã será radicais contra fisiológicos. Radicais contra moderados. Moderados contra fisiológicos. Revolucionários contra conservadores. Tudo isso sem ter na frente da cena o árbitro maior - o futuro EX.
Vai ser divertido assistir. Ao fim, espero, vencerá a democracia, e logo estaremos em 2014, provavelmente com Lula, Aécio e Marina disputando a presidência.
Isso é o jogo político. Ao qual parece que estamos, afinal, nos acostumando.
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