As eleições desviaram meu blog de seu título. Por dois dias, ele deixou de apresentar reflexões sobre o cotidiano, para expor pontos de vista e divagações, sobre política.
Mas o cotidiano sempre se impõe. Ao blog e a tudo mais. É no cotidiano, no cada dia, não nos grandes momentos, que se vive.
Hoje, ou amanhã, não sei direito, é dia de finados. Dia de recordar (celebrar?) os mortos. Os meus mortos – pai, mãe, avós, primos, amigos que se foram – prefiro mantê-los vivos. Vivos nas memórias esporádicas, que aparecem sem dia certo e os trazem ao presente. Continuam existir, para mim, nessas recordações. Assim como eu mesmo, espero, continuarei a existir, quando minha vez chegar, nas memórias dos que me conheceram.
A morte não existe. Existe apenas um desaparecimento gradual, um lento esvanecer-se na noite eterna do tempo.
De meu bisavô, avô de meu pai, que não conheci pessoalmente, pois partiu antes que eu tivesse nascido, ainda tenho histórias para contar. Do pai dele, meu trisavô, não sei quase nada. Mais além no passado, desaparece o quase, fica o nada, a memória perdida, o vazio, para o qual em pequenos passos caminhamos todos.
Façamos longas nossas próprias vidas, tentando construir memórias boas.
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