Um homem uniformizado, empunhando uma vassoura antiga, do tipo que as bruxas usavam para voar, varre meticulosamente as folhas caídas no chão do parque. Ao ver que me aproximo, detem o movimento. Imagino que o faz para impedir que seu trabalho incomode meu passeio. Olho para ele e agradeço com um sorriso, espontâneo embora formal. Ele sorri de volta. Em minha fantasia, raros dentre os burgueses que costumam caminhar naquele parque prestam atenção no gesto de cortesia que lhes costuma fazer o humilde varredor. De nada, responde-me o funcionário. E, encerrando o pequeno diálogo, adverte em tom paternal, apontando o trecho adiante, em que o caminho está coberto de limo antigo: Cuidado! Essa lama escorrega muito.
Lembro-me do Sermão da Montanha. Encontrei (afinal!) um homem de boa vontade.
Uma vez mais agradeço e prossigo um pouco mais contente minha caminhada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário