segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Lar, doce lar

Um amigo meu americano, que fala português, me pergunta por e-mail qual o endereço do meu lar.
Evidentemente queria saber o endereço de minha residência e estava traduzindo literalmente o inglês home adress. Em português, o lar não tem endereço. É uma instituição, é uma abstração, um conceito,  não uma localização geográfica. Meu lar, meu asilo inviolável, minha fonte de energia não corresponde a um número em uma rua,  nem a um bairro,  nem sequer a uma cidade.
Tem muita gente que tem residência e não tem lar. Como pode-se pensar em um lar que não corresponda a uma residência.
Não tentei, porém, explicar a distinção ao meu amigo. Informei simplesmente meu endereço residencial. Sem comentários.
E simpatizei com minha lingua materna que tem substantivos com carga afetiva.

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