domingo, 17 de outubro de 2010

Escolha

Há alguns anos, uma caricatura sobre eleições  publicada em uma revista americana ficou registrada em minha memória. A figura era clássica, uma pessoa com as mãos para cima. Às suas costas uma outra pessoa, de máscara, com um revólver encostado em sua nuca, em atitude típica de assalto. Só que o assaltante, em vez do clássico "a bolsa ou a vida", citava como opção os nomes dos dois candidatos a Presidente da República que então disputavam as eleições, se não me engano, "Carter ou Reagan" . E o assaltado, com firmeza,, respondia: "Shoot" . "Pode atirar". Sinto-me hoje como esse americano assaltado, verdadeiramente agredido pela escolha que tenho que fazer. Nenhum dos dois candidatos me desperta simpatia. Ambos, para ser mais preciso, irritam-me, com um discurso que se sente falso, enlatado por marqueteiros, em função de supostas análises de pesquisas.

Eu poderia simplesmente não votar. Com mais de 70 anos conquistei esse direito. Mas não consigo. Afinal, ou Dilma ou Serra, um dos dois será o Presidente. E eu tenho direito e o dever  de contribuir com 1/100.000.000  para escolher, dos dois, o menos ruim.

Mas é triste a opção.

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