01/07/2010 - Rotinas
Desenvolvo, a cada dia, novas rotinas. Para citar um exemplo: todos os sábados, almoço com minha mulher em um determinado restaurante do Leblon, sempre o mesmo. E sempre, religiosamente à mesma hora. Levo à boca a primeira garfada pontualmente ao meio dia. E observo que rotinas como essa permitem conquistar liberdades.
Ser livre é sempre ser livre de alguma coisa. Só quem está preso pode se libertar; quem está solto não se sente livre por que não tem de que o ser. Criando rotinas, crio prisões. E de prisões cotidianas posso, se quiser, libertar-me. Só a rotina, em suma, pode propiciar por contraste algum tipo de verdadeira liberdade.
02/07/2010 - Registros e obrigações
Registro que, nesta data, a despeito de ter jogado muito melhor o primeiro tempo e de eu estar novamente usando a camisa amarela, o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo pela Holanda.
Sinto-me obrigado a fazer este registro. Quem me obriga? Ninguém. É uma obrigação para comigo mesmo, verdadeira e irresistível compulsão. Que estranha força será é essa que impõe obrigações sem motivo e deveres para com ninguém? Serei eu o único a ser tomado por esse tipo de impulso? Farei parte de um grupo capaz de ser rotulado como vítima de algum tipo de distúrbio?
Ou será que todas as pessoas, ou todas as pessoas classificáveis como normais, sofrem compulsões desse tipo e são compelidas por inexplicáveis forças interiores a pratica determinadas ações sem qualquer propósito específico?
Acho que a última hipótese é verdadeira e relevante. Não há, a meu ver, quem não receba de quando vem vez comandos impositivos, ordens cabais para fazer ou deixar da fazer o que, de fato não é preciso nem serve a nada nem a ninguém.
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