sábado, 4 de setembro de 2010

Pelo sim, pelo não

Postado em plena Copa do Mundo:


28/06/2010 Ao levantar-me hoje de manhã, apanhei e vesti sem pensar a camisa que estava no topo da pilha na prateleira de camisas. À medida que o dia passava, dava-me conta que a camisa vermelha que eu estava usando era quase da mesma cor que a camisa da seleção do Chile. E hoje o Brasil joga com o Chile. É um jogo de Copa do Mundo. Não posso vê-lo usando as cores do inimigo. Vai dar azar. A razão arrogante descarta com desprezo a superstição irracional. Nada a ver. Ridículo. Mas o sentimento prevalece. Depois do almoço, perto da hora do jogo, penduro no cabide a camisa vermelha e apanho com consciência, uma camisa amarela. Um amarelo claro não o amarelo carregado forte da camisa do Brasil. E concluo: O Brasil pode até perder, se tiver que perder. Mas se perder não será porque eu, brasileiro, assisti ao jogo com a camisa do Chile.

A superstição é indispensável, impulso irracional que permite afastar a dor da consciência racional da realidade cruel: Nada que eu faça pode modificar o que acontece no estádio na África do Sul. Não posso ter qualquer influência sobre um acontecimento que certamente me afetará, positiva ou negativamente. Saber-me impotente é insuportável. Preciso imaginar, mesmo sabendo falso, que a camisa que eu visto pode causar uma derrota ou ajudar a conquistar uma vitória.

Como são pretensiosos os humanos …

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